Paris, le 20 février 2017, Hugo Barriol, pour le label Believe

Do metrô para as paradas musicas: conversamos com o francês Hugo Barriol sobre seu primeiro EP

Hugo Barriol tem 28 anos e acaba de lançar seu primeiro EP, com 5 faixas autorais. Homônimo, o trabalho revela bastante sobre o músico francês que começou sua carreira nas estações metrô. Primeiro, na Austrália, por ocasião de uma viagem, depois em Paris, nas estações de Bonne Nouvelle, Nation, Saint-Michel e Pigalle.

Conversei com o músico e ele mesmo conta como tudo aconteceu: “Comecei a tocar em Sydney, na Austrália. Eu fiquei por lá por quase um ano e não consegui encontrar um emprego. Alguns amigos me disseram que eu deveria tocar na rua ou no metrô e tentar ganhar algum dinheiro. Foi o que eu fiz”, desabafou Barriol para o Folkdaworld. “Então eu voltei para Paris e soube das audições que aconteceriam para ser um busker parisiense. Sim, você precisa passar uma audição e obter um cartão que permita que você toque na rua. Acabei de fazer a audição, peguei um cartão e fui tocar minhas músicas no metrô”.

A escolha do local foi objetiva, ele explica: “Fiz isso em Paris porque queria que as coisas acontecessem musicalmente e me esforcei para isso. Escolhi o metrô porque é um lugar cheio em Paris, e eu poderia compartilhar minha música com muitas pessoas. Eu queria entrar em contato com a indústria musical, mas eu não conhecia ninguém. Então pensei que alguém que conhecesse alguém poderia passar e me dar a chance! Então toquei no metrô de 4 a 5 horas por dia, 5 dias por semana durante 2 anos”, contou Barriol.

Foto : Lucas Chedeville/StreetPress

Foto : Lucas Chedeville/StreetPress

E não é que acabou acontecendo exatamente o que o músico esperava? Recém contratado pela Naïve Records, mesma gravadora do início da carreira de Carla Bruni. Barriol me disse: “Eu estava tocando na estação de Pigalle, em Paris, quando a diretora da minha gavadora me ouviu pela primeira vez e me deu seu cartão. Depois houve um concurso, um ano atrás, o “Metrô Music Awards” que elege o melhor cantor no metrô, as pessoas no Facebook podiam votar e eu ganhei. Eu não diria que fiquei famoso, mas às vezes algumas pessoas me vêem e reagem com um ‘Oh, você! O cara que toca no metrô!’”

Em suas letras, Barriol fala sobre amor, esperança e rompimentos dolorosos. “On The Road”, que já ganhou um lindo clipe, abre o disco e, também, foi a faixa escolhida para encabeçar a divulgação do seu primeiro trabalho. A canção traz uma mensagem de simplicidade, com trechos como “Eu estou tão empolgado e minha carteira não tem dinheiro. Mas eu continuarei na estrada. Eu continuarei”.

Curiosamente, essa frase diz muito sobre a história de Hugo em relação a sua luta por um espaço no mercado musical. Uma vez abordado pela equipe do The Voice, ele preferiu negar a oportunidade. “Eu não gosto muito desses programas de TV. Era realmente importante para mim ‘fazer acontecer’ com a minha música. Eu sou um cantor e compositor. Não fazia covers nem quando tocava no metrô. Então não iria para a TV fazer covers”.

E que compositor! As músicas de Barriol são longas e contam histórias com melodias bem trabalhadas. A minha favorita, de longe, é “Time”. Pedi para que ele comentasse um pouco sobre a faixa, e ele me contou: “‘Time’ é sobre a esperança! Quando você passa por momentos difíceis, seja num relacionamento, com um amigo, no trabalho ou com a família, eu sempre acho que as coisas vão melhorar! E você é mais forte quando você não está sozinho, então eu tentei expressar esse sentimento no início com um verso mais lento e depois com um mais animado no final! Pensando positivo!”

“Hurt” não fica muito atrás, a interpretação do músico é sensacional! Talvez seu esforço em mostrar suas canções para as pessoas nas ruas tenha aprimorado a paixão por suas letras e a forma com ele as interpreta. Dá pra sentir isso muito bem também na faixa seguinte “The Wall”, sendo essa uma balada mais profunda.

O EP fecha com “Black and White”, outro musicão! Com uma melodia encantadora, a faixa é cheia de altos e baixos, mostrando bem a flexibilidade do músico na voz, na harmonia e como artista em geral.

Ah… Você deve estar se perguntando porque um músico francês está cantando em inglês. Bom, parece que as influências dele são basicamente de artistas que cantam na língua inglesa. Quando o perguntei sobre planos para gravar em sua língua-mãe, ele revelou “Não tenho planos para isso. Eu apenas componho e canto em inglês”.

Bom, independente da língua. Uma certeza eu tenho: o Hugo ficará por muuuuuuito tempo na minha playlist!

Dá o play aí no EP para conferir o som do rapaz!!!

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