“Blue”, da Joni Mitchell: 50 anos do álbum mais vulnerável de todos

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Hoje muito se fala de cantoras e compositoras que têm impactado a indústria musical, que têm transformado estilos, lançado tendências e por aí vai. Taylor Swift, Billie Eilish, Landa Del Rey e a, ainda mais recente, Olivia Rodrigo são alguns dos nomes que podemos citar aqui.

Mas deixa eu te contar, 50 anos antes, Joni Mitchell fazia isso de uma maneira espetacular! Você sabe, o mundo era muito diferente 50 anos atrás, mas uma artista de verdade sabe a hora de se revelar para mundo e, com esse movimento, atrair tudo e todos e, ainda, provocar identificação.

Foi em 22 de junho de 1971, que “Blue” foi lançado a este mundo com um equilíbrio perfeito entre folk e experimentação, com fragilidade, mas também muita força, aflições, mas com esperança de um futuro melhor. E, ainda, não esquecendo de acreditar no amor, entender de política e lutar pelo feminismo. Não à toa, foi considerado pela Rolling Stone como o terceiro melhor álbum de todos os tempos.

Já falamos sobre o álbum aqui no blog, lá em 2017, quando o João Kirmse, enquanto nosso colaborador, nos entregou um dos textos mais relevantes que temos. Intitulado “Quantos ‘homões da porra’ são necessários para fazer uma Joni Mitchell?”, o texto fala da importância de Joni na música. E quão grande ela é!

Ao longo do texto, João passeia por quase toda a discografia de Joni, para ali no meio destacar ele, o aniversariante do dia. Mas não antes de nos alertas “Nada, no entanto, poderia preparar o mundo para seu próximo álbum”. E continua:


“Blue” foi lançado em Junho de 1971. A capa simples mostra Joni cantando, em um tom azul. Quando as primeiras pessoas começaram a tocar aquele vinil, a música mudou. A relação do artista com sua música mudou, e a do ouvinte com o artista mudou. Sem mais barreiras, ou distanciamentos, ou pretensões universais. “Blue” é sobre Joni. “Blue” é Joni. Todas suas inseguranças, suas dúvidas, vontades, experiências. Tudo em primeira pessoa, tudo em primeira mão, nada de falar sobre o amor em geral, aquele é o amor dela. Nada de contar belas histórias de terceiros em suas letras, aquele era seu diário, era o que tinha acontecido com ela. Falou sobre seu relacionamento com Graham Nash, sua viagem à Europa, e sobre o bebê que ela teve que dar à adoção por não ter condições de cuidar. Imagine isso! Imagine a artista se abrir tanto que não tem medo de falar sobre uma experiência dessas! Ali, Joni se expôs, foi vulnerável e forte nessa vulnerabilidade, foi sincera, quis amor mas admitiu seus erros, pediu perdão por suas besteiras mas não negou que seus erros são parte dela, sentiu saudade e esperança no futuro.

Ninguém havia feito isso. Antes, as canções recorriam a um lirismo para criar distanciamento, eram histórias sobre terceiros para o artista não se colocar na linha de frente. Joni mudou isso para sempre. Daí para frente, e até hoje, os artistas gritam seus problemas, mostram seu interior, e mostram isso para o público. Com a extrema intimidade e pessoalidade do álbum de Joni, ela alcançou algo incrível: despertou – e ainda desperta – a empatia em todos que a ouvem, chegou no universal através do íntimo, chocando e inspirando muitos no processo. Mitchell foi feroz, corajosa e independente ao fazer isso, e criou a mulher forte, independente, abrindo espaço para todas as Patti Smiths ou Stevie Nicks do futuro.


Depois que reli esse texto do João, não me imaginei escrevendo nada melhor. Sou sincera. “Blue” da Joni é tudo isso mesmo. Joni Mitchell é tudo isso mesmo. E que bom que artistas como a Taylor, a Lana, a Billie, a Olivia e tantas outras podem colher hoje o que com tanta vulnerabilidade ela plantou. 

Preciso dizer ainda, que a comemoração do lançamento de “Blue” é celebrada com a chegada de um EP em todas as plataformas de Streaming. Apresentando cinco faixas, que vão de demos a gravações raras, quase inéditas. 

Play para viajar na imensidão azul de Joni Mitchell: